Os exemplos de Visual Law mais úteis no dia a dia são recursos simples: linha do tempo, fluxograma, quadro-resumo, tabela comparativa, ícones, QR code, destaque de pedidos. Cada um resolve um problema de leitura específico, e cada um tem documentos em que funciona e documentos em que atrapalha.

Este guia reúne 12 recursos de Visual Law com quatro respostas para cada um: para que serve, em qual documento usar, quando não usar e onde aprofundar. No fim, há exemplos públicos de tribunais que adotaram Visual Law em mandados, decisões e guias, com as fontes.

Uma regra vale para todos: o recurso visual organiza a informação que já está no documento. Ele não acrescenta fato, não muda data, não arredonda valor.

Recurso, documento e objetivo: a tabela-resumo

Recurso Documentos em que mais funciona Objetivo
Linha do tempo Petição inicial, contestação, memoriais, notificação Mostrar a ordem dos fatos e os prazos
Fluxograma Contratos, políticas internas, comunicados ao cliente Explicar etapas e decisões condicionais
Quadro-resumo Petições longas, pareceres, memoriais Dar a síntese antes do detalhe
Tabela comparativa Recursos, memoriais, pareceres Confrontar versões, cenários ou cláusulas
Ícones Contratos, guias, mandados, comunicados Sinalizar tipos de informação recorrentes
Infográfico Petições com dados, relatórios, materiais ao cliente Condensar números e relações
QR code Peças com vídeo ou documento externo, mandados Levar a conteúdo fora do papel
Destaque de pedidos Petição inicial, recursos, notificações Deixar claro o que se pede
Cards das partes Petições com vários litigantes, contratos Identificar quem é quem
Mapa ou croqui Possessórias, acidentes, direito imobiliário e ambiental Mostrar onde os fatos aconteceram
Gráfico de valores Cobranças, revisionais, perícias contábeis Mostrar evolução ou composição de valores
Storyboard Contratos com consumidor, termos de uso, guias Contar uma sequência em quadros

12 exemplos de Visual Law e quando usar cada um

1. Linha do tempo

Para que serve: organizar fatos em ordem cronológica, com datas e referências. Onde usar: petições em que prazo, mora ou prescrição decidem a causa; memoriais; notificações extrajudiciais. Quando não usar: quando há dois ou três fatos só. Uma frase resolve. Aprofunde: petição judicial com linha do tempo.

2. Fluxograma

Para que serve: mostrar um processo com etapas e bifurcações ("se X, então Y"). Onde usar: cláusulas de rescisão, procedimentos internos, explicação do andamento de um processo ao cliente. Quando não usar: para descrever fatos lineares. Aí a linha do tempo é melhor. Aprofunde: fluxogramas e tabelas em documentos jurídicos.

3. Quadro-resumo (sumário executivo)

Para que serve: responder no início o que o leitor procura: o caso, a tese, o pedido. Onde usar: qualquer peça com mais de cinco páginas, pareceres e memoriais. Quando não usar: em peças curtas, em que o resumo seria quase do tamanho do texto. Aprofunde: memoriais com Visual Law.

4. Tabela comparativa

Para que serve: pôr lado a lado duas versões, dois cenários ou duas redações. Onde usar: "o que a parte contrária diz × o que a prova mostra"; cláusula antiga × cláusula nova; cálculo do autor × cálculo do réu. Quando não usar: quando as colunas não são realmente comparáveis. Aprofunde: fluxogramas e tabelas em documentos jurídicos.

5. Ícones

Para que serve: marcar tipos de informação que se repetem (prazo, valor, atenção, documento). Onde usar: contratos, guias, mandados e comunicados a pessoas sem formação jurídica. Quando não usar: como enfeite em cada parágrafo, ou em peças de tom muito formal com um único tipo de conteúdo. Aprofunde: ícones em contratos: quando e como usar.

6. Infográfico

Para que serve: reunir números, proporções e relações numa única peça visual. Onde usar: petições com dados estatísticos, relatórios, materiais explicativos ao cliente. Quando não usar: quando ele apenas repete o texto ao lado. Aprofunde: infográfico em petições judiciais.

7. QR code

Para que serve: levar o leitor a um vídeo, a um documento ou a uma página fora do papel. Onde usar: peças impressas, mandados e comunicados entregues em mãos. Quando não usar: em peças lidas só na tela, em que um link clicável é mais simples, ou para conteúdo essencial que deveria estar no próprio documento. Aprofunde: QR codes em peças jurídicas.

8. Destaque de pedidos

Para que serve: separar o que se pede do restante da argumentação. Onde usar: fecho da petição inicial e dos recursos; quadro "o que pedimos, prazo e consequência" em notificações. Quando não usar: para destacar argumentos. Se tudo está em destaque, nada está. Aprofunde: notificação extrajudicial com Visual Law.

9. Cards das partes

Para que serve: apresentar cada parte num bloco com nome, papel no processo e dados essenciais. Onde usar: ações com vários autores ou réus, contratos com muitos signatários, procurações. Quando não usar: em processos com uma parte de cada lado, já bem identificadas no cabeçalho. Aprofunde: procuração ad judicia com Visual Law.

10. Mapa ou croqui de localização

Para que serve: mostrar onde algo aconteceu e a relação entre lugares. Onde usar: possessórias, usucapião, acidentes de trânsito, conflitos de vizinhança, direito ambiental. Quando não usar: quando o local não é discutido. E nunca com marcações que a prova dos autos não sustenta. Aprofunde: imagens na petição.

11. Gráfico de valores

Para que serve: mostrar a evolução de uma dívida, a composição de um cálculo ou a diferença entre valores. Onde usar: revisionais, cobranças, impugnação a cálculos, perícias contábeis. Quando não usar: com eixos cortados ou escalas que exageram diferenças. O gráfico precisa bater com a planilha. Aprofunde: infográfico em petições judiciais.

12. Storyboard em contratos

Para que serve: contar uma sequência (contratação, uso, cancelamento) em quadros com texto curto. Onde usar: contratos com consumidores, termos de uso, guias de onboarding de clientes. Quando não usar: em contratos complexos entre empresas, em que o quadro simplifica demais obrigações que precisam de precisão. Aprofunde: Legal Design Patterns e contrato de honorários com Visual Law.

A base de todos: espaço em branco e hierarquia

Nenhum desses recursos funciona numa página sem respiro. Margens generosas, títulos que dizem o assunto e parágrafos curtos fazem mais pela leitura do que qualquer ícone. Veja espaços em branco no Visual Law e a petição minimalista.

Exemplos de Visual Law em tribunais e órgãos públicos

Tribunais brasileiros usam Visual Law há alguns anos, principalmente em documentos dirigidos a pessoas sem formação jurídica. Alguns casos públicos:

Também na Justiça do Trabalho, uma vara de Fortaleza passou a acompanhar sentenças com resumos visuais, caso que mostramos em Justiça do Trabalho utiliza o Visual Law em decisões. O pano de fundo é o Pacto Nacional do Judiciário pela Linguagem Simples, lançado pelo CNJ, que pede documentos diretos e versões resumidas.

Cuidados: excesso de recursos e fidelidade aos fatos

Menos é mais

Um documento com linha do tempo, infográfico, ícones em todo parágrafo e cinco cores parece um folheto, não uma peça. Segundo o resumo da pesquisa do grupo VisuLaw com 147 juízes federais, 77% acreditam que elementos visuais ajudam a compreensão "desde que usados com moderação". Na mesma pesquisa, os elementos que os magistrados mais disseram receber foram fluxogramas (46%), links externos (38%) e gráficos (36%). Mais sobre a percepção dos julgadores em o que os juízes pensam do Visual Law.

Um bom teste: retire o recurso visual e veja se o leitor perde informação ou só perde enfeite. Se perde só enfeite, ele pode sair.

O visual não pode alterar o que diz o texto

Linha do tempo com data trocada, gráfico com valor arredondado, quadro-resumo que "melhora" um fato: qualquer divergência entre o recurso visual e o documento original é um risco para a credibilidade da peça e para o próprio advogado. Antes de protocolar, confira cada data, valor, número de processo e citação de lei do recurso visual contra a fonte.

Do exemplo à peça pronta

Saber quais recursos usar é metade do trabalho. A outra metade é aplicar com consistência em todas as peças do escritório. Na KLSN, você envia a peça em DOCX ou PDF e recebe o PDF diagramado em Visual Law, com a identidade visual do escritório, em minutos. Os dados do original (datas, valores, números de processo, CPF/CNPJ, artigos de lei, súmulas e julgados) são conferidos automaticamente, e você ajusta o resultado conversando com a Kiar, a assistente de Legal Design da KLSN. Crie sua conta e teste com uma peça sua.

Perguntas frequentes

Quais são os principais exemplos de Visual Law?

Os recursos mais usados são linha do tempo, fluxograma, quadro-resumo, tabela comparativa, ícones, infográfico, QR code e destaque de pedidos. Também aparecem cards das partes, mapas, gráficos de valores e storyboards em contratos. O recurso certo depende do problema de leitura que você quer resolver.

Visual Law pode ser usado em petição inicial?

Pode. Na petição inicial, os recursos que mais ajudam são o quadro-resumo no início, a linha do tempo dos fatos e o destaque dos pedidos no fim. O cuidado é manter a moderação e garantir que o recurso visual reproduza exatamente o que está no texto e nos documentos.

Juízes aceitam Visual Law nas peças?

Em pesquisa do grupo VisuLaw com 147 juízes federais, realizada em 2020, 77% disseram que elementos visuais ajudam a compreensão, desde que usados com moderação. Tribunais como TJDFT, TRT-6, TRF6 e TJMG também já usam Visual Law nos próprios documentos.

Existe modelo de Visual Law pronto?

Existem modelos de estrutura, como os deste guia, mas a peça precisa partir do caso concreto: quais fatos importam, quais valores, qual pedido. Um modelo visual aplicado sem critério tende ao excesso. O mais eficiente é padronizar a identidade visual do escritório e escolher os recursos peça a peça.

Visual Law substitui o texto jurídico?

Não. O recurso visual organiza e destaca o que está no texto, que continua sendo a base da peça. Como resumiu um desembargador do TJSC, a representação visual amplia a comunicação sem substituir o formato escrito.

Fontes